10 Filmes sobre a Classe Média no Cinema Brasileiro

Ao longo dos anos, o cinema nacional desenvolveu uma filmografia bastante associada às análises políticas e sociais. Preocupada em retratar as populações mais pobres do país, principalmente das comunidades que ocupam territórios das periferias dos centros urbanos e nordeste brasileiro, a cinematografia brasileira sempre reservou espaço para este compromisso. Em contradição, a grande maioria dos produtores dessa filmografia pertencem a classes sociais mais privilegiadas e residentes de centros urbanos do sul brasileiro. Grandes exemplos desse desacordo são filmes amplamente conhecidos como “Central do Brasil” e “Cidade de Deus”.

Outro exemplo bastante significativo, em termos de politização e contradição, foi o expressivo movimento cinematográfico brasileiro conhecido como Cinema Novo. Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Leon Hirszman e outros realizadores, influenciados pelo Neo-realismo Italiano em um momento de crise no cinema nacional, resolveram filmar produções mais simples e realistas ligadas ao cotidiano do povo brasileiro. Avessos aos grandes filmes da época, como as produções da Vera Cruz e das Chanchadas, os jovens produtores resolveram com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” criar filmes mais comprometidos à realidade social do país. Desse movimento surgiram grandes clássicos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Rio 40 Graus”, “Cinco Vezes Favela” e “Terra em Transe”.

Mais recentemente, durante o período conhecido como a “Retomada” do cinema nacional, centenas de filmes continuaram o legado das décadas anteriores. Dando protagonismo as contradições socioeconômicas do Brasil, produções como “Ônibus 174”, “Madame Satã”, “Amarelo Manga”, “O Auto da Compadecida”, “Tropa de Elite”, “Dois Filhos de Francisco” e “Abril Despedaçado” fazem parte dessa lista.

Porém, nos últimos anos, um fato interessante vem acontecendo. Diferente das décadas anteriores, o foco principal das produções mais politizadas é a classe média do país. Pela definição do governo federal, a classe média é integrada pelos indivíduos que vivem em famílias com renda per capita, ou seja, por cabeça, entre R$ 291 e R$ 1.019. Segundo pesquisa realizada em 2014 pela Serasa Experian e pelo Instituto Data Popular isso significa 54% da população nacional.

Preparamos uma lista de 10 filmes com a intenção de reunir uma parte representativa dessa produção. Com o recorte à partir dos anos 2000, os seguintes filmes trazem uma perspectiva crítica e analítica sobre a classe média brasileira. Desde a camadas mais simples dessa população até as famílias moradoras dos terraços de prédios em frente ao mar. Segue a lista em ordem aleatória:

Cronicamente Inviável (2000) – Sergio Bianchi

Sinopse: O filme mostra trechos das histórias de 6 personagens, mostrando a dificuldade de sobrevivência mental e física em meio ao caos da sociedade brasileira, que atinge a todos independentemente da posição social ou da postura assumida.

Edifício Master (2002) – Eduardo Coutinho

Sinopse: Durante sete dias, uma equipe de cinema filmou o cotidiano dos moradores do Edifício Master, situado em Copacabana, a um quarteirão da praia. O prédio tem 12 andares e 23 apartamentos por andar. Ao todo são 276 apartamentos conjugados, onde moram cerca de 500 pessoas. Eduardo Coutinho e sua equipe entrevistaram 37 moradores e conseguiram extrair histórias íntimas e reveladoras de suas vidas.

Pacific (2009) – Marcelo Pedroso

Sinopse: Uma viagem de sonho em um cruzeiro rumo a Fernando de Noronha. As lentes dos passageiros captam tudo a todo instante. E eles se divertem, brincam, vão a noitadas. Desfrutam de seu ideal de conforto e bem-estar. E, a cada dia, aproximam-se mais do tão sonhado paraíso tropical…

Os Inquilinos (2010) – Sergio Bianchi

Sinopse: Valter estuda de noite. Iara, sua mulher, diz que os novos inquilinos não trabalham, que devem ser bandidos. Ninguém sabe de onde vieram os três rapazes, Iara diz que eles levam mulheres para casa e falam palavras sujas. Os jovens da rua querem ir para a briga, Valter quer dormir. Ele não tem uma arma, tem uma filha e um filho pequenos, fica fora o dia inteiro, não vê o que se passa na rua, ouve o que a mulher diz, o que a rua diz, ouve o barulho da música e das risadas dos inquilinos, de madrugada. E não consegue dormir. Quem vai morrer? Valter não sabe.

Domésticas (2012) – Gabriel Mascaro

Sinopse: Sete adolescentes assumem a missão de registrar por uma semana a sua empregada doméstica e entregar o material bruto para o diretor realizar um filme com essas imagens. Entre o choque da intimidade, as relações de poder e a performance do cotidiano, o filme lança um olhar contemporâneo sobre o trabalho doméstico no ambiente familiar e se transforma num potente ensaio sobre afeto e trabalho.

O Som ao Redor (2012) – Kleber Mendonça Filho

Sinopse: A vida numa rua de classe-média na zona sul do Recife toma um rumo inesperado após a chegada de uma milícia que oferece a paz de espírito da segurança particular. A presença desses homens traz tranqulidade para alguns, e tensão para outros, numa comunidade que parece temer muita coisa. Enquanto isso, Bia, casada e mãe de duas crianças, precisa achar uma maneira de lidar com os latidos constantes do cão de seu vizinho. Uma crônica brasileira, uma reflexão sobre história, violência e barulho.

Um lugar ao Sol (2009) – Gabriel Mascaro

Sinopse: Um Lugar ao Sol é um documentário que reúne depoimentos de moradores de luxuosas coberturas de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. O diretor conseguiu acesso aos moradores através de um curioso livro que mapeia a elite e pessoas influentes da sociedade brasileira. No livro, foram catalogados 125 donos de coberturas. Desses, apenas 8 cederam entrevista. O documentário oferece um rico debate sobre desejo, visibilidade, altura, status e poder. É um filme que reflete sobre a classe dominante brasileira e a verticalização das cidades, abordando o imaginário sócio-cultural de um grupo pouco problematizado na cinematografia nacional.

Casa Grande (2014) – Fellipe Gamarano Barbosa

Sinopse: Jean é um adolescente rico que luta para escapar da superproteção dos pais, secretamente falidos. Enquanto a casa cai, os empregados têm que enfrentar suas inevitáveis demissões, e Jean tem que confrontar as contradições da casa grande.

Trabalhar Cansa (2011) – Juliana Rojas e Marco Dutra

Sinopse: Helena, jovem doméstica, decide montar o seu primeiro negócio: uma mercearia de bairro. Contrata então Paula para tratar da filha e da casa. Mas quando Otávio, o marido de Helena, fica desempregado, as relações entre as três personagens mudam de repente. Acontecimentos inquietantes começam então a ameaçar o comércio de Helena.

Que Horas Ela Volta? (2015) – Anna Muylaert

Sinopse: A pernambucana Val se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino vai prestar vestibular, Jéssica lhe telefona, pedindo ajuda para ir a São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

Lista no filmow: http://filmow.com/listas/cinema-brasileiro-e-a-classe-media-l63187/

Menções Honrosas: A Opinião Pública, Recife Frio, Eletrodomésticas  e Ilha das Flores.

Fonte: Minha monografia 😉
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